Hoje fico em casa a trabalhar

Dominic Orr, presidente da Aruba Networks, defende soluções inovadoras para tecnologias de Macau

Nasceu e cresceu em Macau, mas há muito que trocou o território pelos Estados Unidos da América, onde estudou, fez carreira e se destacou na área das tecnologias da informação. Na RAEM para participar no Fórum e Exposição Internacional de Cooperação Ambiental, Dominic Orr explicou ontem que ideias trouxe na mala para a sua terra natal.

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Não vem a Macau “à procura de investimentos”, mas não esconde que gostaria de regressar a casa com projectos para desenvolver tanto com o Governo de Macau, como com as autoridades da China Continental.
Dominique Orr trabalha com novas tecnologias “amigas do ambiente”. Natural de Macau, encontrou o seu espaço do outro lado do mundo, nos Estados Unidos da América, onde é presidente da Aruba Networks. Trata-se de uma empresa que trabalha sobretudo com comunicações sem fios e que, explica Orr, cria soluções para os clientes que são simultaneamente ecológicas e simpáticas em termos orçamentais.
Orr está na RAEM para participar no Fórum e Exposição Internacional de Cooperação Ambiental 2009, que começa amanhã e termina no próximo sábado. Antes de explicar aos participantes quais as mais-valias da Aruba, quis encontrar-se com os órgãos de comunicação social para explicar quem é, ao que vem e o que faz.
“Trabalhamos nas novas tecnologias amigas do ambiente. Nos Estados Unidos da América, temos tendência para um aprovisionamento excessivo de recursos, dos computadores que temos em cima das secretárias às infra-estruturas relacionadas com a rede”, disse, em jeito de intróito.
A especialidade deste natural de Macau passa por eliminar os recursos que, por norma, não são usados pelo utilizador. Dominic Orr exemplifica: “Há servidores com capacidade excessiva e ligações à Internet em escritórios que não são utilizadas. Cada ligação destas está ligada a um transformador que consome energia e produz calor, o que faz com que seja necessário gastar mais energia para arrefecer os edifícios”. Segundo explicou, por norma “só 25 por cento das entradas de comunicação são utilizadas”.

As vantagens do “wireless”

As empresas e organizações de diferentes índoles começaram a ter noção de que há recursos nas novas tecnologias que são perfeitamente dispensáveis. Por um lado, diz o presidente da Aruba Networks, esta percepção foi motivada pelas preocupações mais ou menos generalizadas com o aquecimento global. Por outro, há o pragmatismo de ordem financeira, que tende a estar em evidência em tempos de crise.
Pensar em poupar energia e outros recursos “não acontece só pelas razões ideológicas relacionadas com o ambiente, mas por motivações pragmáticas”. Empresas com um orçamento reduzido procuram soluções ao nível das novas tecnologias que se encaixem com as suas limitações. E é aqui que entra em acção a filosofia Orr.
“Defendemos a tecnologia adaptada às necessidades reais e as comunicações sem fios. Não só se permite uma outra mobilidade aos utilizadores, mas também se empregam menos recursos: são menos entradas, menos transformadores, menos cabos, menos cobre.”
Nesta conferência em Macau, o empresário vai defender a mobilidade que as ligações sem fios permitem e focar as suas vantagens: “Reduzir o consumo de electricidade e a utilização de cobre em novas infra-estruturas”.

A cidade é um escritório

Em termos práticos e aplicando a Macau, Dominic Orr gostaria de criar “cooperações internacionais” nesta deslocação ao território. “Sentimos que podemos estimular não só o Executivo de Macau, mas também agências do Governo da China Continental, que estão presentes nesta conferência”.
Se tudo correr como o empresário espera, pode ser que em meados do próximo ano a Aruba Networks esteja mais presente na China, seja ela continental ou administrativamente especial.
“Tendo nascido e passado aqui os primeiros 16 anos da minha vida, tenho uma ligação emocional a Macau, pelo que gostaria de trazer algumas ideias para a preservação do ambiente”, diz Orr, que confessa a nostalgia que tem em relação aos percursos de bicicleta entre a casa onde vivia e a escola que frequentou.
Macau mudou entretanto e passou a ser uma cidade “próspera e de renome internacional”. Mas como a prosperidade não se faz só de casinos, mas de soluções tecnológicas inovadoras, o empresário espera poder “trazer algumas técnicas que possam contribuir para essa nova imagem de Macau enquanto cidade internacional que mantém as suas características”.
Dominic Orr volta ao tal conceito de mobilidade para sugerir que a RAEM se transforme num espaço com uma “força virtual de trabalho”: se houver “wireless” em toda a parte, “as pessoas possam trabalhar em qualquer lado, ter uma maior qualidade de vida e, ao mesmo tempo, evitar-se um consumo excessivo da sua quota-parte de electricidade”.
O empresário, que divide a sua vida entre a Califórnia e Tóquio, dá o exemplo do que a Aruba Networks está a fazer no Japão. “A nossa empresa está envolvida num projecto do Governo japonês que tem como objectivo fazer com que determinada percentagem de trabalhadores não tenha de entrar num carro, aumentando os níveis de poluição, para ir para o escritório”.
A ideia é estes trabalhadores poderem trabalhar a partir de casa dois dias por semana. “Não só é uma solução mais amiga do ambiente, como estão mais perto da família, há um aumento da qualidade de vida”. Dominic Orr já adoptou esta conceito de “escritório virtual”: “Em média, trabalho um dia por semana em casa”.
Quando regressa à terra natal, o empresário mantém encontros com as autoridades, sobretudo com quem está responsável pela área da Economia. “Queremos participar em projectos públicos de Macau”, reitera. “Não estamos a sofrer com esta crise”, assegurou, “e não estamos à procura de investimentos, mas sim a tentar cooperar com o Governo em projectos para a RAEM”.

Isabel Castro, in Ponto Final

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