E já são mais de cem

Petição do Partido Cívico de Hong Kong sem data para sair da Internet

O Partido Cívico de Hong Kong está satisfeito com a adesão à petição online lançada esta semana. Só nas primeiras horas foram assinadas mais de uma centena de missivas destinadas aos Serviços de Imigração. Ainda não há data para o documento deixar de circular na Internet.

A petição foi lançada na segunda-feira à tarde e, ao final da manhã de terça-feira, o Partido Cívico já tinha recebido mais de cem pedidos de subscrição da petição.
O número foi apontado pelo secretário-geral do partido da ala democrata de Hong Kong, Keneth Chan, que, à hora de fecho desta edição, ainda não dispunha de dados mais actualizados. É que, para se ser subscritor da petição, é preciso fazer um pedido nesse sentido ao Partido Cívico, que envia depois um e-mail com o conteúdo da missiva a remeter para as autoridades da RAEM. As contas complicam-se comparativamente com as petições on-line que só são mandadas ao seu destinatário depois de recolhidas as assinaturas.
Contudo, o número conhecido de pessoas que mostraram interesse em aderir à causa do Partido Cívico deixa os políticos satisfeitos. Ainda não há data para que a petição deixe de estar disponível no site do movimento democrata.
“A ideia é expressar ao Governo de Macau o quanto lamentamos a decisão de não autorizar a entrada a deputados, membros de sindicatos e de partidos, e de académicos de Hong Kong”, recordou Keneth Chan.
A carta para as autoridades da RAEM só está disponível na versão chinesa. No documento expressa-se o descontentamento em relação à política de imigração de Macau e refere-se que o Governo da RAEM “tem a obrigação legal de garantir a liberdade aos residentes de Macau e de Hong Kong de terem contacto uns com os outros e trocarem perspectivas”.
No entanto, ressalva a missiva, “por razões desconhecidas o Governo de Macau alega a lei de segurança interna, que se destina à criminalidade organizada e aos grupos terroristas internacionais, criando um ambiente de censura política que só pode ser prejudicial ao princípio ‘um país, dois sistemas’”.
O Partido Cívico (e todos aqueles que assinarem o documento) defende que o primado da lei, os direitos humanos, a liberdade e a democracia constituem os valores fundamentais do desenvolvimento da civilização.
A frase que se segue demonstra preocupação com a recente aprovação da lei de defesa da segurança do Estado na RAEM: “A última coisa que queremos ver é Macau passar a ser gerido arbitrariamente estando o Artigo 23º regulamentado”.
A rematar, fica o apelo às autoridades de Macau para que retirem os residentes de Hong Kong da “lista negra” e para que protejam os seus direitos, liberdades e garantias de acordo com a Lei Básica.
A iniciativa do Partido Cívico surgiu na sequência dos acontecimentos mais recentes em relação a residentes de Hong Kong. No passado domingo, uma comitiva organizada de políticos e activistas deslocou-se a Macau para testar as autoridades locais em relação à sua política de imigração, sendo que cinco elementos ficaram à porta. Entre os que viram negada a entrada estão dois deputados ao Conselho Legislativo da antiga colónia britânica – o activista democrata “Long Hair” e o presidente da Confederação de Sindicatos da região vizinha.

Isabel Castro, in Ponto Final

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