Gravuras com uma história para contar

Exposição da AFA em Pequim junta artistas da China e de Macau


Não é uma exposição com origem na simples vontade de pendurar trabalhos de artistas plásticos da China e de Macau num só espaço. Desde o início do mês que a galeria em Pequim da associação Art for All mostra gravuras de seis criadores, quatro do Continente e dois da RAEM. São imagens com um passado comum.

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Jian Miao, Yang Hongwei, Li Xin e Xu Xiangdong nasceram na China Continental. James Chu e James Wong são de Macau. Em comum, estes seis artistas têm o facto de se interessarem por gravura como uma forma de expressão artística. E partilham também a experiência de ensino em Macau.
Desde o princípio deste mês que uma exposição em Pequim se tornou mais um elemento desta pouco vulgar união. “Durante os últimos cinco anos, o Museu de Arte de Macau tem vindo a colaborar com a Academia Central de Belas Artes, trazendo artistas profissionais para ensinar em Macau, todos os anos, ao longo de um mês”, explicou ao PONTO FINAL James Chu, presidente da Art for All (AFA) e um dos artistas com obra exposta na colectiva de Pequim.
Os quatro autores da China e os dois James de Macau têm orientado jovens aprendizes no território, com um número crescente de interessados pelas técnicas da gravura. A ligação que se desenvolveu entre este grupo de formadores é, para o presidente da AFA, o factor mais importante desta exposição na capital chinesa, que dá pelo nome de “Awakening – Beijing-Macau Printmaking Exhibtion”.
“É o resultado de uma cooperação que tem um passado. Conhecemo-nos uns aos outros, temos trabalhado juntos. Todos os artistas estiveram em Macau durante os últimos cinco anos”, salienta Chu, cuja aposta à frente da AFA consiste na criação de meios que permitam aos artistas da RAEM romperem fronteiras e chegarem um pouco mais longe.

O peso da capital

James Chu concebeu três trabalhos para esta exposição que é composta por um total de vinte gravuras. O outro James de Macau, de apelido Wong, levou a Pequim obras que surgem na sequência do que tem vindo a fazer nos últimos dois anos: a exploração dos elementos artísticos clássicos chineses.
“É difícil explicar a minha obra”, diz James Wong, “porque utilizo toda a capacidade de expressão ao concebê-la”. De qualquer forma, acrescenta, “usei essencialmente elementos tradicionais chineses para mostrar como é que podem ser alterados por métodos ocidentais”.
Para o artista, o facto de ter trabalhos seus expostos na capital reveste-se de particular importância, apesar de se tratar de uma colectiva. “Hoje em dia, Pequim é um centro cultural da China com muita importância, com uma visão internacional muito grande”, nota. Depois, por ser “a capital”, é “bom ter a oportunidade de mostrar os meus trabalhos lá, enquanto artista chinês”.

Sem fronteiras

Porque a arte que se faz em Macau é diferente da do resto do país, “com pessoas e abordagens diferentes”, há sempre uma grande expectativa em relação à reacção do público. “É interessante ver como olham para o nosso trabalho”, sintetiza Wong.
James Chu esteve na inauguração – momento que contou com a presença do responsável do Gabinete de Macau em Pequim e do director do Museu de Arte de Macau – e ficou satisfeito com o que viu.
“A inauguração correu muito bem, estavam lá curadores e até alguns artistas famosos da China.” A junção dos trabalhos de seis artistas com várias inspirações e contextos artísticos resultou numa mostra diversificada, “com gravuras mais tradicionais e outras muito diferentes, bastante arrojadas”.
Chu volta a falar do significado do momento, que vai além das telas penduradas na galeria da AFA. “O mais importante não é a exposição estar a acontecer, mas sim o facto de representar uma colaboração, uma troca entre artistas.”
A AFA nasceu para promover a arte a nível interno mas sobretudo para acabar com as fronteiras e também James Wong assinala esse aspecto. “É óptimo estar a trabalhar fora de Macau, promovendo o trabalho de artistas não só na China mas noutros sítios”, afirma.
Na nota enviada à imprensa, o curador da colectiva, Kent Ieong, não esqueceu um aspecto mais pragmático do mundo da arte: o mercado tem estado adormecido e a mostra significa voltar a acordar. A escolha do título será, deste modo, mais ligada à realidade económica do que à mensagem artística. Depois, diz Ieong, é mais um “capítulo” de uma história de comunicação entre artistas plásticos de dois lugares distintos.
Este exercício de comunicação sem postos fronteiriços conhecerá uma nova fase em Julho, com a AFA de Pequim a acolher uma exposição com obras de artistas de Xangai, Pequim, Sichuan, Hong Kong, Macau e Taiwan. Quanto à “Awakening”, pode ser vista até ao final de Maio.

Isabel Castro, in Ponto Final

Gravura de James Chu

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