A “falta de transparência do sistema”

Agnes Lam defende que eleições para o Chefe do Executivo já deviam estar agendadas

As eleições para o Chefe do Executivo serão antes do escrutínio para a Assembleia Legislativa, mas ainda não se sabe quando vão ser realizadas. Agnes Lam, analista política, entende que o facto de o acto eleitoral colegial para escolher o sucessor de Edmund Ho ainda não estar marcado não é admissível.

Não entende as razões, mas considera que é mais uma prova da falta de transparência do sistema. A analista política Agnes Lam condena o facto de ainda não estarem marcadas as eleições para o Chefe do Executivo, o que se torna ainda mais lamentável por ser já conhecida a data para a escolha dos 12 deputados eleitos directamente e dos 10 de base corporativa para a Assembleia Legislativa (AL).
“Todos nós sabemos que este ano temos de eleger um Chefe do Executivo. O calendário deveria ter sido feito e divulgado mais cedo”, comentou ao PONTO FINAL. “Não me parece inadmissível que ainda não tenha sido anunciada a data das eleições.”
Agnes Lam, que publicou um artigo de opinião sobre esta questão no jornal Ou Mun, vinca que o acto eleitoral que servirá para escolher o sucessor de Edmund Ho terá implicações em “toda a estrutura política de Macau”.
“Vai ter impacto também nas eleições legislativas”, sublinha a analista e provável candidata ao sufrágio de 20 de Setembro próximo. “Se soubéssemos mais cedo seria melhor para as legislativas. As associações e potenciais candidatos teriam mais tempo para desenvolver os seus planos.”
Lam lamenta também que ainda nenhum candidato tenha assumido publicamente a sua disponibilidade para concorrer às eleições para o Chefe do Executivo. “Estamos numa cidade em que falta transparência em muitos aspectos”, observa. O desconhecimento em torno de quem serão os interessados em conduzir os destinos da RAEM é mais uma prova da forma como se faz o jogo político – longe da análise e reacção da população em geral.
A professora de Comunicação da Universidade de Macau tem uma leitura sobre as razões que poderão estar na origem desta “falta de transparência”: “Parece que está a haver uma certa competição entre os possíveis candidatos e que ainda não deve ter terminado, porque ainda ninguém assumiu a sua disponibilidade”.
A inexistência de um candidato assumido faz com que Agnes Lam encare a situação com “tristeza”. A analista entende que, não obstante a escolha do Chefe do Executivo estar nas mãos de apenas 300 pessoas, o possível sucessor de Edmund Ho deve ter a preocupação de se apresentar à população em geral.
“Os candidatos deviam aparecer. Parece que não precisam de assumir a sua disponibilidade publicamente. Isto só prova que ninguém vai competir abertamente perante a população e que não estão preocupados com a sua imagem pública”, nota. “Os interessados deviam mostrar a sua disponibilidade e falar com a população, dizer-nos quais são as suas orientações políticas.”
Curiosamente, os membros da comissão eleitoral que foram ouvidos nos últimos dias pelos órgãos de comunicação social não assumiram publicamente a preferência por ninguém em concreto, limitando-se a traçar perfis sobre as características gerais que o próximo líder deve ter.
Contudo, pelas notícias que têm vindo a público – algumas delas relacionadas com as possíveis causas para os impedimentos a residentes de Hong Kong nas fronteiras de Macau – a “luta” deverá estar a ser disputada entre dois candidatos: Chui Sai On, secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, e Ho Chio Meng, procurador da RAEM.

Isabel Castro, in Ponto Final

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