Cabo Verde com tecto

Associação assinala dez anos com planos para uma maior dinamização

Era só o que faltava a uma comunidade que diz estar bem inserida em Macau. A Associação de Amizade Macau – Cabo Verde vai ter em breve uma sede, um espaço que permitirá, promete a direcção recentemente eleita, aumentar e diversificar as actividades. É um novo fôlego numa altura em que a associação assinala dez anos de vida.

É a “grande novidade” e chega pouco tempo antes da festa dos dez anos de existência. A Associação de Amizade Macau – Cabo Verde (AAMCV) vai ter uma sede. O espaço ficará situado na Penha e vai permitir, explicou ao PONTO FINAL o presidente da direcção, Daniel Pinto, conferir mais dinamismo a uma associação que está a precisar de “uma lufada de ar fresco”.
A AAMCV teve eleições recentemente e há uma série de projectos em carteira para serem desenvolvidos nos próximos tempos. O “tecto”, que deverá estar disponível dentro de alguns meses, irá possibilitar acolher de forma diferente “os estudantes que cá estão, organizar tertúlias, eventos culturais e outros projectos que temos em mente”, diz o presidente da associação.
Durante estes anos, refere ainda Daniel Pinto, “a comunidade cabo-verdiana tem usado o escritório de advogados C&C, gentilmente cedido por Rui Cunha e Álvaro Rodrigues, para os eventos – quando vem um ministro, um adido cultural -, e até mesmo quando organizamos as nossas festas”.
Mas com uma casa própria os horizontes são diferentes. “Temos projectos e ideias novas. Esperamos dar continuidade ao que tem vindo a ser feito mas, se possível, dar uma lufada de ar fresco à associação, e criar condições para que a comunidade cabo-verdiana se sinta bem aqui”, refere.
Embora com uma dimensão reduzida – serão cerca de 50 elementos – a comunidade está há em Macau há já alguns anos e “tem deixado ficar bem Cabo Verde, em todos os quadrantes da sociedade”, salienta o presidente da AAMCV.
O trabalho da direcção empossada há menos de duas semanas terá como objectivo “dignificar cada vez mais o nome de Cabo Verde, um país que, embora novo, está realmente a mostrar ao mundo que é capaz de fazer coisas bonitas, apesar dos condicionalismos da terra”.

Para além das festas

Daniel Pinto quer introduzir uma vertente mais “cultural” na associação. “As festas estão no sangue dos africanos, mas queremos estar também vocacionados para outras áreas. Queremos organizar exposições, tertúlias, ajudar os estudantes, não só da nossa como de outras comunidades”, explica.
O estreitamento da relação com outras associações do espaço lusófono em Macau é outra das metas definidas. A vontade de uma maior união existe, nota Pinto, mas “a verdade é que a promessa de uma maior aproximação acaba por nunca ser concretizada, pelo que é nosso objectivo tentar juntar as comunidades”.
O presidente da AAMCV entende que é pouco fazer-se apenas uma festa anual da Lusofonia. “Devia haver mais encontros, sobretudo a nível cultural”, defende.

Comunidade acarinhada

A Associação de Amizade Macau – Cabo Verde foi criada poucos meses antes da transferência de administração do território. A data oficial do aniversário é 9 de Abril, mas Daniel Pinto prefere guardar para já em segredo o plano das festas.
Sobre estes dez anos de RAEM, o presidente da associação diz que a comunidade se sente acarinhada. “Sentimo-nos assim desde a primeira hora. O Governo de Macau tem apoiado todas as nossas iniciativas, temos sentido muito apoio e todo o respeito.”
Ainda sobre a comunidade cabo-verdiana residente em Macau, conta Daniel Pinto que “está bem adaptada”. Teve origem em estudantes que vieram para cá estudar, acabaram por ficar e constituir família.
“Esse é o verdadeiro espírito do cabo-verdiano: onde chega, deixa as suas raízes, a sua marca, sem nunca esquecer a sua terra. Costuma-se dizer – e é verdade, que o sítio onde existem menos cabo-verdianos é Cabo Verde.” Por estas bandas, são meia centena, mas prometem não passar despercebidos.

Isabel Castro, in Ponto Final

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