E os outros quarenta?

Académico barrado em Dezembro conseguiu entrar ontem em Macau

Foi o acontecimento do dia nesta história com vários episódios sobre as dificuldades de entrada de académicos e políticos de Hong Kong em Macau. Keneth Chan Ka Lok conseguiu entrar sem problemas na RAEM. Em Dezembro não tinha sido assim.

Se foi um teste, Macau passou. O académico Keneth Chan Ka Lok, professor da Universidade Baptista de Hong Kong, conseguiu entrar ontem no território sem problemas. Numa conversa ao telefone com o PONTO FINAL ao princípio da tarde, pouco tempo depois de ter chegado à RAEM, este doutorado em Oxford confirmou estar em Macau e ter passado a fronteira sem problemas.
Keneth Chan tinha sido impedido de entrar na RAEM em Dezembro passado. Na altura, segundo contou a este jornal, o agente dos Serviços de Imigração olhou para o monitor do computador e depois pediu-lhe para ‘ir para uma sala de espera’ com os seus colegas.”
Chan aguardou 45 minutos até lhe ter sido apresentada “uma ‘notificação de recusa de entrada’ com base na lei de bases da segurança Interna da RAEM”. Não assinou o documento e foi recambiado para Hong Kong no barco seguinte disponível.
Ontem, a história teve outros contornos. O académico especialista em sistemas políticos da Europa de Leste conseguiu marcar presença num encontro internacional sobre aspectos de educação, ensino e pesquisa em Estudos Europeus na Ásia, sob os auspícios da Fundação Ásia Europa, que teve lugar na Universidade de Macau.
Em entrevista ao PONTO FINAL esta semana, Keneth Chan tinha-se mostrado confiante de que não lhe seriam colocados entraves na fronteira. “Não vejo qualquer motivo para ser impedido de exercer as minhas obrigações profissionais para com a comunidade académica de Estudos Europeus e para com Macau em particular”, referiu então.

Quarenta mais trinta

Além de professor universitário, Keneth Chan é secretário-geral do Partido Cívico de Hong Kong, movimento criado em 2006 e que pugna pela democratização do sistema político da antiga colónia britânica.
A sua vida política activa poderá ter sido a razão principal para ter sido impedido de entrar na RAEM a 20 de Dezembro de 2008, dia em que se juntaram 80 descontentes em relação à regulamentação do Artigo 23º num protesto em Macau.
Nesse dia, na fronteira ficaram vários políticos ligados à ala democrata de Hong Kong. Deputados e apoiantes do Partido Democrata (HKDP, na sigla inglesa) da região vizinha preparam-se agora para tentar entrar em Macau no próximo domingo.
Ontem, em declarações ao PONTO FINAL, a deputada do Conselho Legislativo e vice-presidente do HKDP, Emily Lau, explicou que a comitiva deverá reunir um total de setenta pessoas, incluindo três dezenas de jornalistas. “Nos restantes quarenta estão mais de uma dúzia de deputados e activistas políticos”, explicou Lau.
A vinda a Macau é um teste à contestada política de imigração de Macau, mas tem um objectivo específico: um “intercâmbio cultural” com a Associação Novo Macau Democrático, para uma troca de ideias sobre a situação política e social das duas regiões administrativas especiais.
O facto de Keneth Chan ter conseguido entrar em Macau leva Emily Lau a esperar que o mesmo suceda com o grupo do próximo domingo. À chegada, especificou a deputada, “vamos encontrarmo-nos com Ng Kuok Cheong e Au Kam San para uma reunião”.

Isabel Castro, in Ponto Final

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