Macau e Hong Kong mais perto de Pequim

CCPPC destaca reforço da relação do Continente com regiões administrativas especiais

Começou ontem a segunda sessão da 11ª Conferência Consultiva Política do Povo Chinês. O presidente Jia Qinglin deu início aos trabalhos com a apresentação do relatório dos trabalhos feitos no último ano. Para 2009, as grandes prioridades são a manutenção do desenvolvimento económico e a salvaguarda da estabilidade social. Quanto às regiões administrativas especiais, a palavra de ordem é a aproximação.
ccppc-xinhua
São mais de 2100 os delegados que, desde ontem, estão reunidos em Pequim para participarem na segunda sessão da 11ª Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC). A magna assembleia do órgão consultivo começou com o discurso de Jia Qinglin, que apresentou o relatório dos trabalhos efectuados pela conferência durante o último ano.
A sessão ficou marcada por um gesto de grande patriotismo, destacado pela agência oficial de notícias Xinhua. Pela primeira vez na história das duas grandes sessões anuais (a reunião da Assembleia Popular Nacional começa amanhã), os participantes cantaram o hino nacional. Até à data, explica a agência chinesa, os delegados ficavam de pé a ouvir o hino em silêncio.
Pormenores protocolares à parte, o dia foi preenchido com a leitura do relatório pelo presidente do órgão consultivo. “A CCPPC deu um importante contributo para a construção de uma sociedade moderadamente próspera em todos os aspectos, acelerando a modernização do socialismo e promovendo a grande causa da reunificação da mãe pátria”, declarou Jia.
O mais importante conselheiro político do país recordou que 2009 é o ano em que se assinala o 60º aniversário do “estabelecimento da Nova China”. Para Jia Qinglin, é crucial que se responda de forma apropriada à crise internacional e se continue a promover o desenvolvimento da causa do Partido e do país.
“Devemos dar prioridade dar prioridade à manutenção do desenvolvimento económico, e entender a salvaguarda da harmonia social e da estabilidade como sendo a nossa responsabilidade principal para este ano”, continuou o presidente da CCPPC.
De acordo com os números oficiais, os delegados da CCPPC enviaram durante o último ano 5056 propostas em áreas como a política, economia, ciência e ecologia, entre outras. Até 20 de Fevereiro último, 99 por cento destas sugestões tinham sido tidas em consideração ou tratadas de acordo com os instrumentos legais do país, segundo explicou Zhang Rongming, a vice-presidente do Comité Nacional da CCPPC.
Os líderes do PCC e do Estado chinês Hu Jintao, Wu Bangguo, Wen Jiabao, Li Changchun, Xi Jinping, Li Keqiang, He Guoqiang e Zhou Yongkang estiveram presentes na sessão de abertura.

O papel de Macau e de Hong Kong

Um dos capítulos do relatório do presidente da CCPPC diz respeito a Macau e a Hong Kong. A Xinhua reproduziu parte do discurso, dando conta de que o órgão organizou viagens e reuniões com os mais de 100 membros do comité nacional das duas regiões administrativas especiais (Macau é representada por 34).
Das viagens feitas, destacam-se as deslocações à zona afectada pelo sismo de Maio passado. “Permitiram que ficassem a compreender melhor o desenvolvimento económico e social e houve um reforço da cooperação entre o Continente e Hong Kong e Macau”, referiu Jia Qinglin.
“A CCPPC conduziu investigações e estudos sobre a contribuição que as pessoas de Hong Kong e de Macau fizeram para a reforma e a abertura do Continente e fez sugestões de como lhes dar um papel maior”, disse ainda o presidente.
Para Leonel Alves, delegado da CCPPC, o ênfase colocado na estabilidade e prosperidade de Macau – um dos pontos abordados durante o discurso – é de particular relevância.
Em declarações ao PONTO FINAL, o deputado e advogado destacou também a importância do estreitamento das relações entre os membros do Continente e das duas regiões administrativas especiais. O tema deverá ser um dos assuntos a abordar na reunião de trabalho que hoje se realiza com a presença dos delegados de Macau e de Hong Kong.

Os números da CCPPC

O longo relatório apresentado por Jia Qinglin começa por se debruçar sobre a consolidação política e a cooperação. O balanço feito pelo presidente da CCPPC indica que o órgão organizou uma série de estudos e actividades de modo a que se compreenda “correctamente” os novos conceitos estratégicos e as decisões políticas adoptadas no 17º Congresso Nacional do Partido Comunista Chinês.
No capítulo da economia, a Conferência Consultiva Política do Povo Chinês fez análises sobre as tendências de desenvolvimento nesta área, tendo levado a cabo investigações e estudos em 55 tópicos diferentes. Os departamentos estatais responsáveis pela matéria receberam 4700 propostas de membros da CCPPC.
O sismo de Maio passado foi um acontecimento que marcou também o ano de trabalhos do órgão consultivo. Alem de ajudar nos trabalhos de auxílio e de reconstrução das zonas afectadas, frisa o relatório, a CCPPC contribuiu com dinheiro e bens na ordem dos seis mil milhões de yuan.
Outro momento alto do ano, mas desta feita pela positiva, foram os Jogos Olímpicos de Pequim. “Os membros do comité nacional apoiaram os Jogos tanto como voluntários como ao participarem noutras tarefas. A CCPPC encorajou activamente os compatriotas de Hong Kong, Macau e Taiwan, bem como os que se encontram no estrangeiro, para que contribuíssem com fundos para ajudar a construir os recintos olímpicos e defendessem a tocha olímpica no seu percurso internacional.”

Comunicação com Taiwan

Quanto a Taiwan, 2008 foi um ano em que se verificou uma mudança no tom das relações entre os dois lados do Estreito, por via da vitória do Kuomitang nas eleições presidenciais de Março.
O órgão consultivo entende ter dado uma ajuda para a melhoria do relacionamento. “A CCPPC fez viagens de inspecção a Taiwan, convidou personalidades de Taiwan para estarem presentes nas cerimónias de abertura e de encerramento dos Jogos Olímpicos de Pequim, e providenciou visitas ao Continente para empresários de Taiwan mundialmente reconhecidos”, explicou o presidente, dizendo que mais de 500 pessoas estiveram envolvidas nestas deslocações.
No que diz respeito às relações internacionais, a Conferência Consultiva Política do Povo Chinês enviou 21 missões a 33 países para visitas e encontros e recebeu 14 delegações de 11 países e de duas organizações internacionais. “A CCPPC participou activamente em actividades internacionais multilaterais sob os auspícios de organizações relevantes.”

Trabalhar para o povo

Da experiência do primeiro ano de trabalhos, a 11ª CCPPC concluiu que o órgão deve aceitar o socialismo com características chinesas como uma convicção comum, sendo que deve ter em conta os interesses gerais do Partido e do país na planificação e execução dos trabalhos do órgão. “A CCPPC deve colocar as pessoas em primeiro lugar no desempenho de todas as suas funções”, lê-se no relatório.
As duas regiões administrativas especiais e Taiwan são mencionadas de novo na lista de prioridades para o corrente ano. “A CCPPC deve trabalhar arduamente para reforçar a grande solidariedade e união com os nossos compatriotas em Hong Kong Kong, Macau e Taiwan.”
Das metas para 2009 faz também parte a aplicação “enérgica” da abordagem científica do desenvolvimento, a promoção do desenvolvimento económico, o trabalho em prol da melhoria das condições de vida da população e a promoção da harmonia social.

Isabel Castro, in Ponto Final
Foto: Xinhua

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