Por um lugar ao sol quase no paraíso

Melhor emprego do mundo conta com apenas três candidatos de Macau


Há mais de 34 mil pessoas espalhadas por todo o mundo que estão dispostas a deixarem casa, família e amigos por aquele que é apresentado como sendo o melhor emprego do mundo. De Macau, os candidatos ao trabalho numa ilha paradisíaca em Queensland, na Austrália, são apenas três. O PONTO FINAL foi ver quem são.
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São só três e todos homens. Anton Kulhmann trabalha na indústria hoteleira, Richard Lo lida com agências de viagens e L.Lee, a quem os amigos chamam “Larry”, não diz o que faz. Apresenta-se apenas como sendo “um cidadão do mundo”, está catalogado em “Macau” como território de proveniência, mas será natural do Missouri.
São estes os candidatos de Macau ao melhor emprego do mundo: ser uma espécie de guardião da ilha de Hamilton, uma área paradisíaca na grande barreira de corais australiana. O emprego é uma oferta do Governo de Queensland, que pretende assim dinamizar a indústria turística daquela região da Austrália.
Embora viver num local com semelhanças ao paraíso possa ser já razão suficiente para alguns candidatos demonstrarem vontade em conseguir o emprego, o factor salário contribui para que a oferta de Queensland seja ainda mais apetitosa – o seleccionado para o trabalho receberá mais de 740 mil patacas pelos seis meses de trabalho contratualmente previstos.
O afortunado não terá de se preocupar com despesas de alojamento: ficam a cargo da entidade empregadora. O seleccionado terá espaço para levar com ele um elemento da família ou um amigo próximo, uma vez que a casa disponibilizada tem muito espaço, garante o governo de Queensland.
É a pensar no céu azul, no mar cheio de corais e numa vida pacata que mais de 34 mil pessoas de cerca de duzentos países e territórios enviaram as suas candidaturas para Queensland. A entidade empregadora definiu como pré-requisitos gostar da vida entre a natureza e ter boas capacidades de comunicação, uma vez que o cargo implicará algumas entrevistas e a manutenção de um blogue na Internet sobre a experiência de vida na ilha de Hamilton.
Todas as semanas, o zelador terá de escrever umas linhas sobre as suas descobertas dentro e fora de água. Das tarefas faz também parte a recolha de fotografias e vídeos que deverão ser actualizados diariamente.
O explorador (ou exploradora, já que são muitas as candidatas) terá ainda a possibilidade de conhecer outras ilhas na área onde está localizada a ilha de Hamilton. “A agenda poderá incluir um tratamento num spa de luxo, experimentar fazer snorkelling na ilha Heron ou andar por entre a vegetação da ilha de Hinchinbrook”, desafia o Turismo de Queensland.

O jovem modelo

Anton Kuhlmann trabalha por vezes como modelo fotográfico mas a sua ocupação profissional é na indústria hoteleira, na área do entretenimento. Natural de Las Vegas, vive actualmente em Macau.
“Cresci numa família em que se prezava muito as actividades ao ar livre, e tenho uma paixão pela natureza desde muito novo”, conta Anton Kuhlmann no vídeo de candidatura ao emprego.
O jovem explica que trabalhou durante vários anos como instrutor de natação e que é um apaixonado por snorkelling – uma actividade que já praticou “um pouco por todo o mundo”, dos destinos asiáticos aqui em redor às águas distantes da Califórnia.
O candidato garante ainda ter grandes capacidades de comunicação, tanto ao nível da escrita como da oralidade. E, não menos relevante, explica ao júri que tem capacidade de adaptação suficiente para se enquadrar naquilo que será um candidato de sucesso.
A rematar o curto vídeo de apresentação, Kuhlmann diz que apenas não tem uma câmara de vídeo “verdadeira” – as imagens foram captadas com uma “webcam”, manifestando o desejo de que a equipa de selecção possa lidar com este facto e considerá-lo apto para o emprego.

O homem do golfe

Richard Lo parece ser mais velho do que Anton Kuhlmann e um sério interessado em golfe. A primeira imagem do seu vídeo de candidatura é precisamente a de um campo de golfe, onde Lo ensaia umas tacadas.
“Quando vi o anúncio pensei que seria o emprego perfeito para mim porque trabalho na indústria de viagens”, diz o candidato na sua primeira frase de apresentação.
O resto do discurso anda em torno da sua experiência profissional: o trabalho leva-o a várias cidades e trabalha com diferentes organizações ligadas ao turismo. Além disso, informa, gosta de jogar golfe (para quem ainda tivesse dúvidas) e de desportos aquáticos.
“Julgo que será a opção certa escolherem-me”, remata Richard Lo que, se for o escolhido, terá ao seu dispor um carrinho de golfe mas para explorar a ilha de Hamilton.

O enigmático

O terceiro candidato catalogado como sendo de Macau não apresenta um filme, mas sim uma série de imagens acompanhadas por uma gravação de voz. “Os meus amigos chamam-me Larry”, explica logo no início o candidato com o nome L.Lee.
Larry não fornece grandes detalhes sobre a sua vida: entende ser um cidadão do mundo porque viajou pelo mundo, mostra imagens desse mundo enquanto vai falando, intercaladas por algumas frases com Deus à mistura.
“Independentemente da religião, todos somos humanos e todos nos sentimos tocados pela mão de Deus que criou o paraíso”, diz L.Lee, a dada altura. Define-se com um homem que é capaz de usar “vários chapéus”. E mais não diz.

Um felizardo em Maio

Se de Macau são apenas três os candidatos, a vaga disponibilizada pelo Governo de Queensland atraiu muitos interessados na China (cerca de trezentos), e centena e meia em Hong Kong. Também em Portugal o concurso não passou despercebido, com cerca de 160 pessoas a enviarem os seus vídeos de candidatura para a entidade patronal.
Os milhares de candidatos têm em comum o facto de serem jovens – não são muitos os seniores candidatos à casa com vista para a praia e emprego que requer nadar, mergulhar e lidar com facilidade com várias tecnologias de informação. Em Macau não houve nenhuma mulher interessada no assunto, mas noutros pontos do globo, incluindo as regiões vizinhas, são várias as candidatas ao cargo.
O Governo de Queensland paga a viagem de avião para o afortunado que conseguir o melhor emprego do mundo, mas não avança com as despesas de deslocação para o seu acompanhante.
O contrato tem duração de apenas seis meses e começa a 1 de Julho próximo. O chorudo salário é pago em diversas fases durante o trabalho desempenhado.
De acordo com a organização, a maioria dos candidatos é dos Estados Unidos (mais de 11 mil), Canadá (quase três mil) e Reino Unido (2261). Da própria Austrália foram recebidas 2061 candidaturas.
No início do próximo mês, são conhecidos os 11 candidatos que convenceram a equipa de 15 pessoas responsável pelo processo de selecção. No dia 6 de Maio é divulgado o nome daquele que terá o melhor emprego do mundo.

Isabel Castro, in Ponto Final

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