Nota de rodapé | Nem quando o Chefe lá vai

Não foi um dia normal na Assembleia Legislativa – e isso notava-se logo à chegada. Público e jornalistas foram ontem sujeitos a um controlo apertado de segurança à entrada do edifício onde, dentro de momentos, iria começar a votação na especialidade da proposta de lei de defesa da segurança do Estado.
Dentro da sala do plenário a confusão não era menor. Embora ainda faltasse mais de um quarto de hora para o início da sessão, eram vários os jornalistas de pé por não terem lugar para se sentarem. Não que os lugares estivessem todos literalmente ocupados: acontece que certos órgãos de comunicação social destacaram vários jornalistas para o evento – não um, não dois, mas bastantes mais, caso dos media oficiais da China – e estes revezam-se na marcação dos lugares dos colegas.
Na zona destinada à imprensa não havia cadeiras livres e no resto da sala também não: os poucos lugares vagos estavam guardados para os membros do Governo que iam assistir ao debate.
Assim sendo, o plenário começou com alguns jornalistas de pé, sem terem sequer onde pousar o material de trabalho. Lá se cederam algumas das cadeiras destinadas aos convidados – que parece terem desistido da intenção de ir à AL – e tudo acabou bem.
Embora ontem tenha sido um dia em que a Assembleia despertou particular interesse aos jornalistas de fora (e de dentro) da RAEM e a público de origens várias, não foi a primeira vez que se viu um número de representantes dos órgãos de comunicação social superior à capacidade da área que lhes está reservada.
Neste contexto, não deixam de ser interessantes as explicações dos relações públicas da Assembleia: não têm espaço para mais e “muitos jornalistas de fora” apareceram para o debate. “Não temos culpa que tenham chegado tarde”, disse um dos funcionários da AL a um grupo de jornalistas, não obstante a conversa ter acontecido quando faltavam ainda vários minutos para o início da sessão.
A AL acabaria por abrir as portas de um auditório ao lado da sala do plenário para que todos aqueles que ficaram de fora do local do debate pudessem ter uma ideia do que se estava a passar.
Ao fim do dia, o órgão legislativo informou, via Gabinete de Comunicação Social, que estiveram na sala do plenário “62 jornalistas e 75 pessoas”, sendo que para o pequeno auditório foram 12 jornalistas e mais 97 cidadãos interessados na matéria.
Talvez tenha chegado a hora de a AL ponderar a possibilidade de, em dias como este, implementar um sistema de acreditação que garanta, pelo menos, a todos os órgãos de comunicação social estarem presentes no debate e terem, sobretudo, condições condignas para fazerem o seu trabalho.

Isabel Castro, in Ponto Final

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