Muitos juntos pela Livraria

Comunidade adere em força à petição lançada pela Casa de Portugal

Desengane-se quem acha que se trata de uma luta solitária da Casa de Portugal em Macau. A associação lançou uma petição online em defesa das instalações da Livraria Portuguesa. O resultado dificilmente poderia satisfazer mais a organização.

“Ainda não está disponível há 24 horas e já tem mais de seiscentas assinaturas. Isto vem mostrar que tínhamos razão quando dizíamos que é um sentimento de toda a comunidade.” Amélia António, presidente da Casa de Portugal em Macau (CPM), falava ao PONTO FINAL ao princípio da noite de ontem, em jeito de balanço preliminar sobre a iniciativa mais recente da associação para evitar a alienação das instalações da Livraria Portuguesa.
Na noite de segunda para terça-feira, ficou disponível na Internet uma petição endereçada aos principais responsáveis políticos portugueses. Ao final da manhã de hoje, o abaixo-assinado contava com 1211 assinaturas.
A CPM ainda não tem uma data definida para enviar o documento aos seus destinatários em Lisboa – Presidência da República Portuguesa, presidente da Assembleia da República Portuguesa, primeiro-ministro, ministro dos Negócios Estrangeiros, ministro da Cultura de Portugal e aos grupos parlamentares. Tudo dependerá da adesão à iniciativa nos próximos dias.
Neste balanço provisório do primeiro dia de mais uma tentativa para deter a pretensão do IPOR, Amélia António realçou o facto de o assunto “tocar, de forma profunda, a nossa comunidade”. Mas as assinaturas vão além da esfera de portugueses expatriados em Macau.
“Há pessoas de etnia chinesa, macaenses espalhados pela diáspora, pessoas que aqui viveram muitos anos e que reconhecemos pelos nomes. São sensíveis à importância da manutenção do espaço”, vincou.
De modo sucinto, na petição (disponível em http://www.petitiononline.com/cpmlivpt/) explica-se que o Instituo Português do Oriente pretende “vender a fracção autónoma constituída por cave, loja e sobreloja, sita numa das ruas mais centrais e de maior movimento da cidade, na continuação do Largo do Senado, que adquiriu à Administração Portuguesa de Macau pela irrisória quantia de cerca de 900 milhões de patacas”.
A venda “priva a comunidade de língua portuguesa, e não somente os portugueses, de um espaço essencial, único, cuja propriedade ainda é de uma instituição portuguesa e, maioritariamente, do Estado Português”.
“Em troca”, prossegue o texto, “o IPOR pretende entregar, novamente sem concurso, a exploração da Livraria a outro particular, instalando-a, eventualmente, num prédio estreito sem condições nem dignidade e distribuída por quatro andares sem elevador, numa zona menor da cidade, e servindo-se disso para argumentar que não está em causa a continuidade da Livraria Portuguesa”.
Depois de duas cartas enviadas ao ministro dos Negócios Estrangeiros português, missivas que não tiveram resposta, a Casa de Portugal espera que as muitas assinaturas e o envio da petição para vários responsáveis surtam efeito e despertem a atenção de Lisboa para o futuro incerto da Livraria Portuguesa.

Isabel Castro, in Ponto Final

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