O segundo acto de Ao Man Long

Começa hoje mais um julgamento do ex-secretário


Pela segunda vez na história recente de Macau, reforça-se a segurança de um tribunal para julgar um arguido famoso. Começa hoje de manhã o novo julgamento do ex-secretário para os Transportes e Obras Públicas. Espera-se sala cheia e muitos jornalistas interessados no assunto.

Dificilmente atrairá tantas atenções como o primeiro, mas prevê-se uma manhã concorrida no Tribunal de Última Instância (TUI) de Macau. Ao Man Long, o recluso mais famoso da história da RAEM, sai hoje do Estabelecimento Prisional de Coloane para voltar a ser julgado.
Os pormenores da acusação ainda não são conhecidos, mas a Agência Lusa avançou há dois dias com a notícia de que os crimes dos quais o ex-governante vai acusado envolvem três empresas, sendo que há ainda outros casos em investigação.
O PONTO FINAL sabe que aos tribunais da RAEM já chegou um processo conexo que terá mais de uma dezena de arguidos, e que deverá estar relacionado com aquilo que vai ser hoje exposto durante a leitura da acusação.
De maneira distinta do que aconteceu no primeiro julgamento, Ao Man Long não escolheu o advogado que o irá defender junto do TUI. Nuno Simões e o ex-secretário concluíram a sua relação contratual em Dezembro último.
O tribunal nomeou um advogado oficioso, David Gomes, que, na mesma condição, foi o defensor da mulher do ex-secretário, Camila Chan Meng Ien, no primeiro processo conexo no Tribunal Judicial de Base. David Gomes é residente de Macau há mais de vinte anos e conhecido no meio jurídico de Macau por ser um dos advogados com maior experiência na área penal.
Ao foi visto em público pela última vez precisamente quando, no primeiro semestre do ano passado, decorreram os julgamentos dos processos relacionados com o escândalo de corrupção que protagonizou.
Recorde-se que o ex-secretário para os Transportes e Obras Públicas foi detido a 6 de Dezembro de 2006 e de imediato exonerado do cargo que ocupava desde o estabelecimento da Região Administrativa Especial de Macau.
Mais de um ano depois, o colectivo do TUI presidido pelo juiz Sam Hou Fai condenou Ao Man Long a 27 anos de prisão efectiva. Aos 51 anos de idade, o ex-governante foi considerado culpado de 57 dos 76 crimes que lhe tinham sido imputados, a maioria deles de corrupção passiva e branqueamento de capitais.
A pena em cúmulo jurídico é a mais gravosa de que há memória em Macau e foi considerada por muitos como sendo exagerada, atendendo a que praticou crimes económicos e não de sangue.

Colectivo parecido

O colectivo que vai julgar a partir de hoje o antigo governante não difere em muito daquele que o condenou à pena de prisão que cumpre em Coloane. Sam Hou Fai, o presidente do TUI, exerce novamente as funções de presidente do colectivo, sendo que Viriato Lima terá também que ponderar novamente sobre a acusação feita a Ao.
A única diferença é mesmo Chu Kin: o magistrado judicial da Última Instância não esteve no primeiro julgamento por ter sido o juiz de instrução tendo, na altura, o seu lugar sido ocupado pelo presidente do Tribunal de Segunda Instância. Porém, desta feita, a questão do impedimento por ter já participado no caso não se terá colocado.

Segurança máxima

Tal como aconteceu no primeiro julgamento, o TUI dispõe hoje de medidas de segurança excepcionais para o público em geral e para os órgãos de comunicação social em particular. O Gabinete de Comunicação Social já informou dos procedimentos que serão adoptados em relação a jornalistas e fotógrafos, que não podem entrar com máquinas mas têm uma área reservada para a captação de imagens perto do local por onde passa a viatura do Estabelecimento Prisional de Macau.
Tanto jornalistas como público não podem entrar no tribunal com material electrónico. Além da passagem por detectores de metais, malas e carteiras são passadas a pente fino.
Porque se prevê que muita gente esteja interessada no que se vai passar no TUI, estão duas salas reservadas para o efeito. Na primeira estará a decorrer a audiência, com a presença do arguido; na segunda é feita a transmissão em directo.

Isabel Castro, in Ponto Final

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