“A língua portuguesa tem de ser defendida”

Leonel Alves defende RAEM como plataforma para formação de tradutores

Macau é o local ideal para formar intérpretes tradutores especialistas em diversas áreas, que possam efectivamente fazer a ponte entre a China e os países de língua portuguesa. A ideia foi defendida pelo deputado Leonel Alves em entrevista à Rádio Macau. O membro do Conselho Executivo demonstrou ainda disponibilidade para servir a RAEM, independentemente do cargo político que o futuro lhe reserve.

“A língua portuguesa tem de ser defendida, tem de ser mais utilizada, tem de haver maiores estruturas no âmbito do ensino para que haja mais intérpretes tradutores. Não basta aprender a língua portuguesa em Macau, é preciso que esta língua seja inter-comunicada com outras pessoas.” Quem assim fala é Leonel Alves.
O único deputado à Assembleia Legislativa (AL) que intervém sempre em português entende que a RAEM deve avançar para a criação de uma grande plataforma de formação de intérpretes tradutores.
Para o advogado, não só Macau tem uma “vocação natural e originária”, dada a sua História e o facto de ser uma cidade de prestação de serviços, como a assunção desta função na formação linguística seria de grande utilidade para a China.
“Macau é, sem dúvida, o local ideal para colocar jovens e pessoas interessadas para terem os meios para frequentarem esses cursos e serem bons profissionais no futuro”, sugeriu.

Preferência pela vida legislativa

Em entrevista à estação de rádio em língua portuguesa, Alves disse estar disponível para ocupar o cargo político no qual entendam que possa ser mais útil. “Estou disponível para aquilo que acharem que seja capaz e seja útil. Portanto, esta é a premissa maior. Agora, vamos ver as circunstâncias concretas, como é que Macau vai evoluir e aquilo em que poderei ser mais útil, no legislativo ou no executivo”, referiu.
No entanto, e dadas as funções que tem vindo a exercer nos últimos 24 anos, o advogado não esconde a preferência pela vida legislativa. “Se me perguntar qual a preferência, se tiver que optar por uma coisa ou outra, obviamente que optaria pelo legislativo, porque já estou nesta vida desde 1984, sei como funciona a Assembleia, sei quais as correlações que existem e a maneira de equilibrar o debate de ideias, etc. Vamos ver, até pode dar-se o caso de não desempenhar nenhum cargo e continuar exclusivamente como advogado, talvez se possa dizer que seria a minha preferência maior.”
Leonel Alves tem vindo a ser apontado como um dos mais fortes candidatos a sucessor de Susana Chou. A hipótese foi lançada pelo jornal Va Kio em Março do ano passado, ano que representou a ascensão política do advogado junto das autoridades centrais, uma vez que foi nomeado para a Conferência Consultiva Política do Povo Chinês.

Lei sindical e populismo

Questionado sobre a regulamentação plena do Artigo 27º da Lei Básica, que estipula o direito de organizar e participar em associações sindicais e em greves, Leonel Alves considerou que o “timming” não é o mais oportuno, porque não basta apresentar o projecto de lei – há também que reunir os apoios suficientes para que não fique na gaveta.
“Estou com algum receio de que o timming não seja o melhor. Se diplomas desta natureza tivessem sido apresentados com um bocadinho mais de antecedência – na sessão legislativa anterior, por exemplo… E não é só o acto de apresentar, é o acto de reunir também a vontade política de alguns deputados”, sublinhou.
Recorde-se que por diversas vezes foram já apresentados projectos de lei que visavam a regulamentação do Artigo 27º no que dizia respeito à criação de associações sindicais, mas falharam por falta de votos favoráveis entre os membros da Assembleia Legislativa. O grande número de deputados com ligações ao mundo empresarial foi a causa directa do chumbo destes projectos.
“A experiência tem vindo a demonstrar que os diplomas, quando apresentados pelos próprios deputados, e subscritos por um número alargado de deputados, têm maior hipótese de vencimento”, vincou. Por isso, entende, “diplomas apresentados isoladamente só podem ser interpretados neste momento como diplomas para a projecção politica do respectivo proponente”.

Miro a deputado

Alves pronunciou-se também sobre uma eventual candidatura do macaense Casimiro Pinto às eleições legislativas deste ano, considerando que o músico e intérprete representa uma mais-valia para a comunidade de onde é oriundo.
“É uma figura de prestígio, uma figura que simboliza de alguma maneira, na minha perspectiva, aquilo em que a comunidade macaense pode ser útil para a RAEM. É um técnico profissional, é um exímio tradutor, e seria bom que na nossa comunidade tivéssemos 500 ou 1000 Casimiros.”

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