Medicina e mimos para nos sentirmos melhor

Clínica-spa de Paulo Malo abre na Venetian em Junho

Não será uma clínica para competir com os hospitais normais e vai ser muito mais do que um spa comum. Entra em funcionamento em Maio próximo, na Venetian, a clínica e spa de Paulo Malo. É uma nova abordagem ao cuidado a ter com o corpo e está integrada no conceito de turismo de saúde. O Governo de Macau agradece. Afinal, vai ser a maior clínica do género do mundo.

Esclarecimento prévio: quem estiver a sentir-se mal não deve ir à futura clínica de Paulo Malo em Macau. “Não serve para tratar doenças, mas sim para fazer diagnósticos e determinados tipos de tratamentos”, esclarece o médico português provavelmente mais famoso do planeta.
Está para breve a abertura do maior “healtness spa” do mundo. Junho é o mês apontado por Paulo Malo para que a clínica de Macau esteja em funcionamento. A suspensão do investimento da Venetian na RAEM não correspondeu a um adiamento dos planos do médico dentista.
A crise não está a afectar o sector da saúde, sublinha Malo, adiantando a sua empresa facturou mais 25 por cento no ano passado.
Ontem, apresentou o projecto de Macau em Hong Kong, numa conferência de imprensa realizada no Club Lusitano. E começou por explicar o que é esta nova abordagem às questões da saúde.
“Existem os hospitais e existem os spas. Num hospital tratam-se doentes; nos spas fazem-se massagens e põe-se velas a arder, em traços gerais.” Ora, há certos tipos de tratamentos que convém não fazer em hospitais, espaços pouco simpáticos, nada apelativos e onde existem infecções variadas à solta.
Malo dá um exemplo: “Se a minha filha tiver um problemazinho de pele, não a levo ao hospital, com certeza. Por outro lado, os spas não estão equipados para este tipo de tratamentos, não têm condições para o fazerem”.
O mesmo se aplica ao check-up geral de saúde. “Destina-se a pessoas saudáveis e não às doentes. Por isso, não têm que ir a um sítio contaminado, num ambiente agressivo, para fazer um check-up.”
Acontece que há certas máquinas necessárias a um diagnóstico geral que só existem em hospitais. Paulo Malo pensou nisso e investiu neste sector. Para Macau está prometida tecnologia de ponta para o tratamento de problemas simples.
“Queremos fazer algo que nem é hospital, nem é spa”, sintetiza. “Na nossa clínica não fazemos cirurgia muito agressiva, não se trata de cirurgia para curar mas sim para melhorar a qualidade de vida”, sublinha. Dois exemplos: a cirurgia plástica e a medicina dentária, área em que Malo granjeou grande prestígio a nível internacional.
No fundo, trata-se de acabar com a ideia de que ir ao médico é uma coisa desagradável e ir ao dentista é um pesadelo. “Não tem que ser. Fizemos uma clínica para tratamentos que se destinam a melhorar a qualidade de vida e o bem-estar, mas num ambiente de spa.” Claro que tudo isto tem o seu preço.

Lógica da competitividade

Paulo Malo acredita que o seu projecto em Macau não só tem pernas para andar, como será muito bem sucedido. Investiu 35 milhões de dólares americanos na clínica, mas estima que terá que desembolsar mais 17,5 milhões numa segunda fase – a da readaptação do espaço e dos equipamentos aos serviços mais procurados.
O médico garante que estes cuidados de saúde com pessoal médico de topo em ambiente de luxo não terão um preço excessivo, porque a empresa que lidera apresenta vantagens competitivas em relação à concorrência (nos casos em que esta chega a existir).
A clínica em Macau integra-se no conceito de turismo de saúde. Por outras palavras, um grupo de homens de negócios que vá a Macau a uma conferência pode aproveitar o tempo livre para fazer um check-up. Mas o objectivo é atrair também gente a Macau com o propósito de tratar da saúde.
Helena Senna Fernandes, subdirectora da Direcção dos Serviços de Turismo (DST) da RAEM, esteve ontem em Hong Kong para dar as boas-vindas à iniciativa do médico português. Fazendo referência aos tempos pouco animadores que a crise financeira trouxe, a responsável da DST afirmou que “a abertura da clínica é um voto de confiança em Macau, que vai contribuir para a diversificação do turismo”.
Mais tarde, Paulo Malo explicou que existem dois tipos de turismo de saúde: um de qualidade e outro de preço. Quem não tem possibilidade de optar pelo de qualidade vai para Banguecoque ou para a Índia. “O turismo de saúde de qualidade é na Europa e nos Estados Unidos. Nós somos a maior clínica de saúde de turismo da Europa.”
Segundo referiu o médico, a sua clínica em Lisboa tem mais de 400 pacientes da China Continental e algumas dezenas de portugueses que residem em Macau. “Não vão lá por ser mais barato, vão porque aqui não conseguem fazer este tipo de tratamentos.”
A clínica de Macau terá três grandes áreas de intervenção: parte dentária, parte plástica e check-up geral de saúde. “Na parte dentária somos líderes mundiais, não temos concorrência nem na qualidade, nem no preço”, sublinha Malo.
Ainda assim, e dadas as condições fiscais que a RAEM oferece, os preços praticados serão 25 por cento inferiores aos de tratamentos semelhantes em Hong Kong.
“Na cirurgia plástica temos concorrência porque em Hong Kong existem bons cirurgiões plásticos, só que não têm o nosso preço”, aponta ainda o médico. Quanto ao check-up geral de saúde, a empresa de Paulo Malo tem concorrência na região vizinha ao nível da qualidade, mas os serviços não estão integrados, o que faz com que diferentes exames e consultas tenham que ser feitos em vários locais da cidade.
Já com a Tailândia o caso muda de figura, mas ainda assim, promete o médico, compensa ficar (ou ir) a Macau. “Ao nível do preço, há concorrência em Banguecoque mas a qualidade é menor. O preço é acessível mas é preciso apanhar um avião, com os custos e incómodos que isso traz.”
Ainda no que diz respeito a preços a cobrar na RAEM, uma primeira consulta com um médico pode variar entre os 275 dólares de Hong Kong e os 400. Já uma massagem aproxima-se das tabelas correntes da antiga colónia britânica: 750 dólares para uma massagem de uma hora.
E por falar em spa, Paulo Malo vinca um outro aspecto: a equipa é toda ela de profissionais de saúde. O médico promete que todos os tratamentos serão feitos por quem sabe do assunto.

Portugueses e a farmácia

A escolha de Macau tem razões práticas na sua origem mas o legado e a presença portuguesa também contribuíram. “Quando decidimos vir para o Sul da Ásia ponderámos vários locais e as duas melhores hipóteses eram Hong Kong e Macau. Hong Kong tem as suas vantagens, Macau também”, conta.
“A Venetian abriu a porta, estendeu a carpete vermelha, e nós entrámos. Mas não há dúvida nenhuma que nos pratos da balança existia a questão portuguesa”, salienta. Macau tem ainda a seu favor a localização e o fácil acesso neste ponto do globo.
A clínica na RAEM vai aproveitar também os conhecimentos da medicina tradicional chinesa – aquela que está cientificamente provada como sendo benéfica à saúde. A ideia é levar mais tarde o conceito para as outras clínicas com a marca Malo: além de seis instituições em Portugal, a empresa está presente em Marrocos, Itália, Estados Unidos, Brasil, São Tomé e Príncipe, Israel e Polónia. Estão a ser feitos estudos para, depois de Macau, abrir clínicas no Japão, na Coreia e em Singapura.
Macau reúne as condições que o médico procurava na Ásia mas apresenta um entrave: a clássica falta de recursos humanos qualificados. Assim sendo, e até que haja possibilidade de dar formação a pessoal local, a grande maioria das 350 pessoas que deverão estar a trabalhar nos próximos três anos no espaço da Venetian virá de fora. Há equipas das Américas, da Europa e também de Hong Kong.
Paulo Malo esclareceu desde logo que o projecto nunca será cem por cento local, ao nível de recursos humanos, porque um serviço desta natureza e dimensão “nem sequer pode ser regional, exige técnicos de todo o mundo”. Para começar, virão 50 médicos e 100 terapeutas das mais diferentes áreas. Quando a clínica de Malo abrir no mega-resort, será ainda possível ir à farmácia no Cotai, pois o projecto inclui este tipo de serviços.

Isabel Castro, in Ponto Final

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