Air Macau confirma despedimento de sete funcionários

“Pobre desempenho” em tempos de crise

A companhia de bandeira da RAEM dispensou sete funcionários, todos eles pessoal de cabine. Deverão estar mais despedimentos planeados, incluindo pilotos. A Air Macau confirmou as saídas mas fechou-se em copas sobre os seus planos em termos de recursos humanos.

Há quem diga que serão mais de vinte mas a Air Macau confirma apenas sete. Foram dispensados na passada semana e com efeitos imediatos. A Air Macau despediu pessoal de cabine e, tanto quanto disse uma porta-voz da empresa ao PONTO FINAL, fê-lo por se tratarem de funcionários com um “pobre desempenho”.
Fonte deste jornal avançou que a companhia aérea se prepara para diminuir também o número de pilotos, mas a porta-voz escusou-se a revelar pormenores sobre esta matéria, confirmando apenas o despedimento dos sete funcionários.
Contactada pelo PONTO FINAL na passada segunda-feira, a empresa foi adiando sucessivas vezes um esclarecimento sobre os despedimentos, até que ontem uma porta-voz do departamento de Relações Públicas foi autorizada a falar sobre a questão, não tendo porém fornecido pormenores além do número e da lacónica razão.
Um dos trabalhadores dispensados, que preferiu não ser identificado, explicou ao nosso jornal que foi convocado, na semana passada, por telefone, para se deslocar à sede da empresa, onde lhe foi entregue a carta de despedimento.
O mesmo trabalhador contou que não lhe foi apresentada nenhuma justificação para a sua dispensa, que produziu efeitos passados apenas dois dias. A missiva recebida remetia para a legislação em vigor, no que ao acerto de contas diz respeito.
O funcionário dispensado não avançou com nenhum número exacto sobre quantos colegas seus terão conhecido a mesma sorte, mas relatou que, aquando da sua deslocação à Air Macau, o ambiente de consternação era visível, levando-o a crer que não terá sido o único a ter sido dispensado, o que se veio a confirmar pelo número dado pela companhia e que diz respeito apenas a pessoal de cabine.
Na calha estará um corte também no que toca a pilotos, até porque a Air Macau deverá reduzir a sua frota, ao enviar mais um avião para Pequim. Já em Novembro passado, a companhia área dispensou os serviços de um piloto.
A Air Macau está numa situação financeira delicada que se agravou depois de a China e Taiwan terem chegado a um entendimento em relação às ligações áreas directas, na sequência da vitória do Kuomitang nas eleições presidenciais na ilha em Março passado.
Na altura, a Air Macau desdramatizou o impacto para a companhia aérea, escudando-se na possibilidade de explorar novas rotas alternativas às ligações para Taiwan. Recorde-se que os voos entre os dois lados do Estreito adquiriram particular relevância para a sobrevivência financeira da empresa.
De acordo com números divulgados pela Agência Lusa em Dezembro passado, a Air Macau tinha sofrido uma diminuição de 24 por cento de passageiros em relação ao mês homólogo de 2007.
Também no final de 2008, um responsável do Governo de Taiwan estimou que Macau iria perder meio milhão de turistas oriundos da ilha por ano, como consequência das ligações directas.
Em Outubro, a Rádio Macau deu conta de que mais de 30 pilotos tinham já abandonado a Air Macau e que, durante esse mesmo mês, outros seis iriam sair da empresa.
Mas não foi só em relação a Taiwan que a companhia aérea mudou de estratégia. Recentemente, reduziu de 11 para sete os voos semanais com destino a Banguecoque, uma quebra que levou a Bangkok Airways a ponderar a possibilidade de começar a voar para Macau.

Isabel Castro e Rui Cid, in Ponto Final

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