Obras públicas vão criar nove mil postos de trabalho em Macau

Construir mais depressa para dar emprego

São 93 obras de dimensões várias que vão dar origem a quase nove mil postos de trabalho. Destinam-se prioritariamente a trabalhadores locais, garantem as autoridades governamentais. Com os trabalhos, espera-se permitir um maior dinamismo a um sector que está a sofrer com a crise.

"Quanto à apreciação dos projectos para as obras particulares, já adoptámos algumas medidas, mas só que esta conferência de imprensa destina-se apenas às obras públicas."

"Quanto à apreciação dos projectos para as obras particulares, já adoptámos algumas medidas, mas só que esta conferência de imprensa destina-se apenas às obras públicas."

O Governo de Macau vai gastar 5,1 mil milhões de patacas em obras de índole diversa no território. Algumas delas já foram lançadas a concurso, mal se começou a perceber que a crise económica mundial estava a ter repercussões negativas no sector da construção civil do território, e prevê-se que seja feito o mesmo com as restantes em breve.
O estado das obras públicas de Macau foi objecto de um balanço feito ontem pela Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT) e pelo Gabinete para o Desenvolvimento de Infra-estruturas (GDI). Na conferência de imprensa convocada para o efeito, Francisco Chau, coordenador-adjunto do GDI, especificou que “as grandes obras vão permitir criar 5530 postos de trabalho”, sendo que “as pequenas e médias empreitadas vão dar origem a 3740”.
Por seu turno, o subdirector substituto das Obras Públicas, Daniel Shin Chun Low, explicou que há regras específicas no sentido de ser contratada “prioritariamente” mão-de-obra local. “As empresas infractoras serão excluídas da lista de empreiteiros qualificados para a realização de obras públicas”, avisou.
Ao todo, tratam-se de 93 obras de dimensões diferentes. Ainda no primeiro semestre deste ano serão lançadas a concurso 64 empreitadas pequenas e médias. Neste grupo incluem-se trabalhos como o reordenamento dos passeios dos Novos Aterros do Porto Exterior e a renovação das fachadas de edifícios localizados na Almeida Ribeiro.
Quanto às grandes obras, o Governo pretende pôr em marcha durante o corrente ano 11 empreitadas: a construção do auto-silo e do jardim em frente aos Nova Taipa, o prolongamento e reforço da protecção do canal de navegação da Ponte da Amizade e a edificação do Centro de Socorro e Emergência dos Bombeiros do Cotai.
Dos planos da DSSOPT e do GDI fazem ainda o início da primeira fase do novo estabelecimento prisional de Coloane, a empreitada de concepção e construção das habitações no lote TN27, na Taipa, e a obra de ampliação das instalações do novo terminal marítimo de passageiros na ilha, bem como a construção do túnel subterrâneo na rotunda do Istmo.

Cidade em pantanas?

As autoridades governamentais garantem que todas estas construções não irão provocar grandes transtornos à população. E isto porque, segundo Daniel Shin Chun Low, “as obras foram distribuídas de forma a evitar que estejam todas acumuladas numa mesma zona”.
Para permitir que o maior número de empreiteiros locais participe neste grande projecto público de construção, o Governo vai dividir as grandes obras em várias de menores dimensões, “desde que tal não tenha implicações negativas para a vida da população”.
O mesmo responsável reiterou que, tal como tinha sido já anunciado, “a DSSOPT e o GDI vão criar uma base de dados central para permitir uma melhor distribuição dos trabalhos e evitar que tenham um grande impacto ao nível do quotidiano e do trânsito”. Garantindo que tudo será feito dentro das disposições legais, o subdirector substituto prometeu “desburocratizar a máquina administrativa”.

Não é nada com ele

A propósito de máquina administrativa e de desburocratização, o PONTO FINAL quis saber o que está a DSSOPT a fazer para responder às críticas que têm sido feitas por quem trabalha no sector da construção em relação à morosidade da apreciação dos processos.
“Os trabalhos que hoje anunciámos foram em termos de obras públicas”, afirmou Daniel Shin Chun Low. “Quanto à apreciação dos projectos para as obras particulares, já adoptámos algumas medidas, mas só que esta conferência de imprensa destina-se apenas às obras públicas”, disse o subdirector substituto da DSSOPT, não dando assim mais esclarecimentos sobre a questão.
Recorde-se que, de investidores a representantes do sector imobiliário, passando por arquitectos e engenheiros, muitas têm sido as pessoas que se têm queixado da lentidão na apreciação dos projectos privados, morosidade que já levou algumas empresas internacionais do ramo a abandonar a ideia de investir em Macau. O fenómeno acentuou-se depois da detenção e do julgamento do ex-secretário para os Transportes e Obras Públicas.
Por ser subdirector substituto na área das obras públicas e na do sector privado, Daniel Shin preferiu reiterar que, no âmbito das suas competências directas, “já adoptámos algumas medidas em termos de serviços one-stop para apreciação dos projectos, de modo a que todos os serviços competentes se reúnam periodicamente para dar o seu parecer, no sentido de acelerar os processos.”

Isabel Castro, in Ponto Final

Advertisements

About this entry