Ho Chio Meng não revela vontades

Eleição do Chefe do Executivo cada vez mais presente na imprensa em língua chinesa

Desde a visita do vice-presidente da China a Macau que o assunto tem vindo a ser abordado com maior insistência na comunicação social da RAEM. Depois de ter feito uma análise à duração dos apertos de mão Xi Jinping para chegar à conclusão de que o barómetro nada revelou sobre o preferido de Pequim, o jornal Ou Mun voltou ontem a escrever sobre o mistério político do ano.

Parece que finalmente a questão começa a estar presente com regularidade na imprensa em língua chinesa do território. Dizia o Ou Mun na sua edição de ontem que a questão “quem vai ser o próximo Chefe do Executivo” se transformou num tema “quente” na cidade nos últimos tempos.
Explica ainda o matutino editado em Macau com maior número de leitores que os jornalistas locais não desperdiçam as oportunidades que têm quando se depararam com um candidato a candidato. Os microfones e gravadores são de imediato encostados aos “preferidos”.
Depois de Chui Sai On ter sorrido perante a perspectiva e ter preferido não tecer comentários sobre a matéria, durante a sua deslocação a Sichuan, esta semana chegou também a vez de Ho Chio Meng ser confrontado com a hipótese.
O encontro da comunicação social com o Procurador da RAEM aconteceu durante a recepção de Primavera oferecida pelo Gabinete de Ligação do Governo Central na RAEM e não foi muito produtiva em termos de pistas. Ho evitou os jornalistas e contornou a questão.
A ocasião serviu para juntar no mesmo espaço muitas personalidades políticas mas todas elas, realça o matutino, se mantiveram caladas em relação ao assunto. “Não há mais nada a fazer do que continuar a adivinhar”, constata o Ou Mun.
A abordagem a Ho Chio Meng parece não ter surtido grande efeito. O procurador da RAEM limitou-se a indicar que pretende fazer um bom trabalho (não precisou em que campo, se no judiciário, se no político) e desejou aos jornalistas que o rodeavam um bom ano novo.
Sem sucesso foi também a investida feita a Bai Zhijian, responsável máximo do Gabinete de Ligação. Os seguranças protegeram-no do contacto mais próximo com os jornalistas e ele nada disse sobre a incógnita política de Macau, relata ainda o Ou Mun.
Dificilmente Bai se pronunciaria sobre uma matéria que, em termos muito práticos, está dependente de Pequim, mas que na perspectiva política e constitucional diz respeito, antes de tudo, a Macau enquanto região administrativa especial.
Mas, para a comentadora política Agnes Lam, que em declarações recentes a este jornal se pronunciou sobre o assunto, é bem provável que Pequim seja o responsável por este silêncio. “Talvez o Governo Central não queira que os nomes sejam conhecidos publicamente cedo, porque ainda existe um ano para gerir e não é desejável ter um Governo que nada faça e fique a observar quem vem a seguir”, disse.
O nome de Ho Chio Meng para candidato a Chefe do Executivo foi uma das apostas feitas pelo jornal Va Kio no ano passado, num artigo assinado por Ng Chan, um dos mais influentes analistas da imprensa local.
O procurador da RAEM granjeou importância política com a bem sucedida acusação contra o ex-secretário para os Transportes e Obras Públicas, Ao Man Long, sendo visto por muitos como uma garantia de sociedade “íntegra” e correcta”.
Desconhecem-se apoiantes seus que demonstrem essa posição em público, à excepção do deputado Pereira Coutinho, que deixou já transparecer que a ideia de Ho suceder a Edmund Ho não lhe desagrada, principalmente por se tratar de uma figura com um enquadramento académico na área do Direito.
Ho Chio Meng nasceu em 1955 e é procurador da RAEM desde a transferência de administração. Natural de Macau, Ho foi viver para a China com a família em 1958. No Continente, ocupou vários postos governamentais.
Estudou Direito na Universidade de Ciência Política e Direito na província de Guangdong entre 1979 e 1983 e, mais tarde, foi para Pequim fazer o doutoramento.
Ho foi juiz no Tribunal Superior Provincial de Guangdong de 1987 a 1990, ano em que regressou a Macau, para pouco tempo depois ir para Coimbra estudar Direito português. Regressou ao território em 1993.

Isabel Castro, in Ponto Final

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