Os recados de Xi para uma RAEM melhor

Vice-presidente garante que Pequim está ao lado de Macau mas deixa orientações


Foi uma visita de apenas dois dias mas que bastou para vários contactos e para deixar algumas “propostas” às autoridades de Macau. Num balanço do que tem sido a RAEM, o vice-presidente da China sublinhou que “as autoridades realizaram um enorme volume de trabalho” e que, por isso mesmo, merecem “a apreciação e avaliação bastante positiva do Governo Central.
Porém, e de acordo com as declarações citadas pelo Gabinete de Comunicação Social, atendendo à actual crise financeira mundial, Xi lançou três reptos à equipa de liderança do território. O primeiro deles consiste “numa análise profunda e com base científica para dominar a situação actual, assegurar o desenvolvimento sócio-económico saudável e estável.”
Em segundo lugar, “as políticas e medidas de apoio do Governo Central devem ser concretizadas com seriedade”, sublinhou. Recordando planos traçados por Pequim, nomeadamente em relação à cooperação regional, Xi aconselhou que sejam “materializados” em pleno. Aludiu ao plano anunciado na passada semana para o futuro integrado de Macau, Hong Kong e Guangdong. “São medidas de cooperação relacionadas com a reacção e resposta à crise financeira internacional.”
Quanto à terceira proposta, o vice-presidente aconselhou a que se concretizem as directrizes deixadas por Hu Jintao aquando das comemorações do quinto aniversário da RAEM: a elevação do nível de governação do Executivo local. Xi Jiping disse ter “esperança de que as autoridades da RAEM possam recordar essas palavras, reforcem a auto-valorização, melhorem o nível de governação, façam avançar todas causas de Macau”.
Por último, Xi Jinping apelou a um esforço para que se concretizem, “da melhor forma, os trabalhos importantes do ano em curso” – a legislação do Artigo 23º da Lei Básica, as eleições para o Chefe do Executivo e para a Assembleia Legislativa, bem como a organização da cerimónia da comemoração do décimo aniversário da RAEM.
Na despedida e em jeito de balanço, o dirigente incentivou o Governo de Macau e os diferentes sectores sociais locais à união e conjugação de esforços na luta contra o impacto da crise financeira, transformando-a numa oportunidade, para uma maior prosperidade e estabilidade económica e social da RAEM.

Um bocadinho da Ilha da Montanha

Além das mensagens políticas, o vice-presidente trouxe um plano concreto: o Governo Central vai avançar com o desenvolvimento da Ilha da Montanha e Macau estará presente nesta nova forma de cooperação inter-regional. Serão cinco quilómetros quadrados destinados à RAEM.
Para o arquitecto Carlos Marreiros, trata-se de uma boa novidade para a população de Macau. “Esses cinco quilómetros quadrados serão essencialmente para equipamentos sociais, escolares, recreativos e lúdicos, com zonas verdes, e não terrenos para especulação.” E é disso que a população precisa, disse ao PONTO FINAL, “porque realmente escasseiam este tipo de zonas”.
O deputado Leonel Alves também considera relevante toda a importância dada por Xi Jiping à cooperação regional e à integração económica de Macau. “Podemos desempenhar um papel específico, diferente do de Hong Kong ou de Guangdong.” Defendendo que deve haver uma “interacção cada vez maior”, o também advogado vinca que “Macau tem que saber encontrar o seu papel”.
A plataforma de cooperação com o espaço lusófono é “um dos factores a ter em conta e que não se deve menosprezar”, sustenta Alves. “É um dos elementos que mais contribui para a especificidade de Macau.”

Isabel Castro, in Ponto Final

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