Discurso sobre os males da democracia

Tsui Wai Kwan critica defensores da revisão do sistema político


Se dúvidas houvesse, teriam ficado ontem esclarecidas: Tsui Wai Kwan, deputado nomeado pelo Chefe do Executivo, é um acérrimo defensor do actual sistema político da RAEM. E tanto assim é que decidiu olhar para os exemplos de outros países para sublinhar, em plena Assembleia Legislativa, que o sufrágio directo e universal não corresponde necessariamente a uma sociedade melhor.
A reflexão política de Tsui serviu ainda – e principalmente – para criticar quem defende a alteração do sistema eleitoral local. Diz o deputado que, além de não serem “credíveis”, as pessoas que alegadamente protegem a democracia “são um perigo para a sociedade”. E esta deve estar “alerta”.
O deputado começou por recordar, no início do discurso feito antes da ordem do dia, a forma como foi elaborada a Lei Básica, explicando que o diploma constitucional “reflectiu a vontade colectiva e a inteligência dos residentes de Macau” e permitiu a transferência de administração “sem sobressaltos”.
“Os acérrimos seguidores de sistemas políticos do exterior advogam a revisão da Lei Básica e do regime eleitoral de Macau”, disse depois, sem nunca identificar a quem se dirigia. No entanto, continuou Tsui Wai Kwan, “num outro país, que se arvora como típico exemplo da democracia, rebentou o escândalo da compra do cargo de ‘mayor'”.
Serve o exemplo para questionar o valor do sufrágio directo e universal: “Será que pode extirpar de vez a corrupção e a fraude? Ou será um instrumento que, pode depender bastante dos votos, serve apenas de berço para facilitar a proliferação das fraudes e para os políticos ludibriarem o povo?” São perguntas que, apontou, “merecem a nossa reflexão”.
Seguiram-se as críticas mais directas, mas igualmente sem destinatário identificado. Dizendo que “o espírito da democracia se centra na consagração do direito de expressão para todos”, o deputado condenou que, no passado dia 20 de Dezembro, “um grupo de pessoas que se manifestava pacificamente no terminal marítimo contra a intervenção maliciosa de forças do exterior nos assuntos de Macau” tenha sido “atacado por outro grupo de pessoas alegadamente protectoras da democracia e liberdade, que puxou e rasgou os cartazes dos manifestantes”.
Para Tsui, o facto destas pessoas não aceitarem “opiniões divergentes” significa que “desconhecem o que é a democracia, apesar de andarem sempre a dizer que lutam por ela”. Posto isto, apelou, “devemos pensar como será o regime de democracia e as eleições que este grupo ou os seus aliados querem implementar”. É que, “além de não serem credíveis, são um perigo para a sociedade”, defendeu o deputado.

Isabel Castro, in Ponto Final

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